O papel do pai nos cuidados com os filhos

A figura paterna continua a ser vista como uma figura de vinculação secundária, algo que é importante desmistificar. Efetivamente, não é correto pensar-se assim, dado que o papel do pai é complementar ao da mãe, como veremos ao longo deste artigo. 

A evolução da teoria da vinculação 

No contexto da teoria da vinculação, a mãe tem sido considerada a figura principal, pelo que, até há poucos anos, a investigação centrava-se, sobretudo, no estudo da relação mãe-criança. 

Por mais estranho que possa parecer, a paternidade é um campo de estudo emergente. Só mais recentemente é que o papel do pai tem vindo a ser estudado, procurando saber-se de que forma a criança se vincula, ou não, a um e a outro e se existem diferenças na qualidade da relação de vinculação mãe-criança e pai-criança.

Antes de mais, é importante clarificar que a relação de vinculação é definida como um forte laço afetivo que se estabelece por volta dos 7 ou 8 meses e que liga a criança a uma ou mais figuras estáveis na sua vida, sentidas como únicas. 

Esta relação privilegiada vai sendo construída ao longo do desenvolvimento da criança, consoante as interações que estabelece com essas pessoas. Quando estas são acessíveis, sensíveis e responsivas é mais provável que se desenvolva uma vinculação segura. 

Os pais negligentes, pelo contrário, tendem a estabelecer padrões de vinculação insegura, com um impacto muito negativo no bem-estar da criança.

Já desde os anos 60 do século XX, diversos autores como Mary Ainsworth, John Bowlby e outros, reconhecem que a maioria das crianças no final do primeiro ano de vida se encontra vinculada a outras figuras, para além da mãe, nomeadamente, ao pai. 

Apesar destes resultados, a figura paterna continua a ser vista como uma figura de vinculação secundária, algo que é importante desmistificar.

Diferenças entre as relações pai-criança e mãe-criança

É certo que existem diferenças na forma como a mãe e o pai interagem com os seus filhos.

A mãe, de uma forma geral, está mais associada à prestação de cuidados e os pais a interações lúdicas, o que é entendido como algo positivo para a criança, que acaba por ser estimulada de formas diferentes. 

No entanto, tem-se vindo a observar um esbatimento progressivo destas diferenças, fruto também de alterações sociais e da forma como os papéis parentais são representados e vividos. 

Embora ainda exista uma clivagem entre géneros, os pais envolvem-se, cada vez mais, na esfera privada da família. Felizmente, os pais querem envolver-se mais. Por outro lado, a sociedade espera mais deles.

Neste contexto, é um erro pensar-se que os pais são figuras parentais de segunda categoria, pois eles são igualmente capazes de cuidar e interagir com os seus filhos.

Ou seja, o papel do pai é distinto e complementar ao papel da mãe. Ambos contribuem para uma maior flexibilidade mental e adaptativa no desenvolvimento da criança. 

Neste sentido, o envolvimento do pai, a sua participação ativa e a afetividade na vida da criança, influenciam o desenvolvimento intelectual, emocional e social, promovendo a segurança, autoestima, resistência às frustrações e autonomia. Esta criança tornar-se-á num adulto resiliente, seguro, prudente e mais feliz.

Por isso, a presença do pai não deverá ser delegada ou compensada por bens materiais, como brinquedos, roupas, viagens ou outros. Isto porque, na fase da adolescência, os meninos tenderão a ver a figura parental como alguém com quem se identifiquem. Já as meninas vêm nos pais alguém importante para a sua autoestima e segurança.

Se por algum motivo o pai biológico não puder estar presente na vida da criança, é importante que outra figura masculina esteja presente na vida da criança, como o avô, o tio ou outro adulto.

Dicas para os pais que ajudarão a fortalecer o vínculo com os filhos 

Naturalmente que cada contexto familiar é diferente e que não há propriamente um livro de instruções da paternidade. No entanto, há algumas linhas orientadoras que ajudam a fortalecer o vínculo do pai com o filho e a desconstruir a ideia de que apenas a mãe é importante para o desenvolvimento da criança.

Assim, é importante que o pai adote os seguintes cuidados com o filho: 

  • Partilhar os cuidados básicos com a mãe, desde o nascimento: dar banho, mudar fraldas, colocar o bebé para dormir. 
  • Conversar com os pediatras, professores e profissionais que acompanham o seu filho. 
  • Estar presente nas rotinas dos seus filhos. 
  • Proporcionar momentos de aprendizagem e de estímulos de qualidade
  • Manter uma boa comunicação, partilhando os seus sentimentos e questionando o filho acerca das suas necessidades físicas, emocionais, escolares, entre outras.

 

Fontes: 

dnlife.pt

lifestyle.sapo.pt

fatherly.com

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