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Perturbações do sono nas crianças: o que fazer?

Resistência em ir dormir, terrores noturnos, pesadelos e sonambulismo são as principais perturbações do sono nas crianças. Para os pais, esta é uma situação aflitiva e muitos podem pensar que não é normal, mas o facto é que afeta 25% das crianças. Mas e como reagir perante estas situações? Neste artigo, encontra algumas dicas que serão certamente uma grande ajuda.

Resistência em ir para a cama 

A resistência em ir para a cama e o acordar durante a noite são muito frequentes nas idades pré-escolares — as estatísticas demonstram que 25 a 50% das crianças sentem dificuldade em ir para a cama no segundo ano de vida. Estes problemas muitas vezes manifestam-se em conjunto e são causados e mantidos por maus hábitos de sono, geralmente desenvolvidos pelas diferentes tentativas dos pais para que a criança vá dormir ou durma bem.

Neste caso, as abordagens mais eficazes incluem estabelecer rotinas à hora de deitar e extinguir a necessidade da presença dos pais para adormecer. Além disto, uma rotina fornece à criança uma defesa contra outras possíveis modificações perturbadoras na sua vida, como o mudar de casa, o nascimento de um irmão ou até o divórcio dos pais. 

Por isso, devem ser estabelecidos objetivos realistas e a modificação deve ser gradual. Por exemplo: se a criança está habituada a ser adormecida ao colo, o primeiro passo será substituir este comportamento, pegando-lhe ao colo, contando uma história ou cantando, colocando-a na cama mesmo antes de adormecer. É importante garantir que a criança está realmente cansada quando vai para a cama.

Terrores noturnos

Os terrores noturnos caraterizam-se por um choro brusco e inesperado da criança, acompanhado de uma expressão de medo intenso, suores frios, muita agitação e incapacidade de ser consolada. Uma vez acordada, a criança demonstra um estado de confusão e desorientação. 

Estas situações ocorrem geralmente entre os 2 a 3 anos, durante a primeira metade da noite, e não deixam recordação no dia seguinte. Normalmente, desaparecem com o desenvolvimento da criança.

Se os terrores noturnos persistirem mais de 4 semanas ou se os pais considerarem que são tão frequentes que perturbam o sono da família, é recomendável efetuar-se uma avaliação de outros problemas familiares que possam estar associados.

Pesadelos

Os pesadelos ocorrem no último terço da noite. São sonhos assustadores que podem acordar a criança, provocando ansiedade e medo, sendo mais frequentes em crianças com idades entre os 7 e os 11 anos. 

Apesar de as crianças conseguirem descrever o seu sonho logo que aprendem a falar, a compreensão de que um sonho não é real ainda não existe. 

Para uma criança entre os 10 e os 18 meses, que não possui ainda o vocabulário suficiente para exprimir o que a preocupa, um pesadelo pode ser uma experiência extremamente perturbadora. Se a criança for acordada no meio de um sonho terá mais probabilidades de se lembrar dele. Por isso, se só ouvir queixas ou murmúrios, não a acorde.

Se o seu filho acordar com um grito súbito, vá ter com ele, ouça-o e acalme-o, transmitindo-lhe segurança e carinho. Se a criança tiver 4 anos, já poderá dizer-lhe que o sonho não é real, devendo sempre permitir-lhe descrever o conteúdo do seu pesadelo e tranquilizá-lo, mostrando segurança ao afirmar que nada de mal lhe irá acontecer. 

Durante o dia, poderá ajudar a dessensibilizar a criança do objeto gerador de medo, desenhando-o.

Deixar uma luz de presença acesa também pode ajudar. Não deixe a criança ver programas assustadores na televisão, especialmente à noite. Se não conseguir perceber o que a assusta, tente falar com ela durante o dia quando já não se encontrar perturbada. É importante também aumentar a autoestima do seu filho durante o dia. 

Para crianças mais velhas, uma conversa sobre o sonho e as suas possíveis causas podem ser suficientes para desenvolver capacidades de confronto. Se os pesadelos aumentam ou se o medo se estende para o dia, deverá consultar o pediatra, pois os pesadelos persistentes ou repetitivos podem refletir pressões excessivas ou algum problema.

Sonambulismo

Normalmente, o sonambulismo acontece três a quatro horas após adormecer. Estes episódios começam geralmente entre os 4 e os 8 anos, sendo a sua prevalência mais elevada nas crianças entre os 9 e os 12 anos. Nestes episódios, a criança ou o adolescente apresenta uma expressão facial pálida e uma indiferença em relação aos objetos e às pessoas que se encontram perto. Duram geralmente vários minutos e, a menos que a criança seja acordada (o que a irá assustar), não se lembrará de nada no dia seguinte.

Como se trata de uma alteração de sono benigna, não é necessário um tratamento especial. A principal precaução por parte dos pais deverá ser a de evitar a ocorrência de acidentes durante estes episódios. A privação de sono ou um sono demasiado irregular pode precipitar episódios de sonambulismo. Por isso, os pais devem zelar para que o seu filho durma sempre o suficiente e tenha uma hora certa para se deitar.

Movimentos rítmicos do corpo

Os movimentos rítmicos do corpo referem-se a um conjunto de perturbações que se caracterizam pela presença de movimentos estereotipados, de caráter rítmico, que implicam principalmente a cabeça. A maior parte dos episódios inicia-se no início do sono, embora também possam aparecer na fase 2 do sono (NREM — No Rapid Eye Movement). 

Normalmente, prolongam-se durante 5 a 15 minutos, mas, por vezes, podem durar horas. Podem iniciar-se a partir dos 9 meses e raramente persistem depois dos 2 anos. Se os movimentos forem violentos, durarem mais de 10 a 15 minutos, e ocorrerem frequentemente durante a noite, poderão existir outros problemas associados.

Falar durante o sono

Este é um fenómeno frequente e inofensivo, que pode surgir em qualquer idade. Podem ser palavras isoladas ou frases curtas que a criança não recorda na manhã seguinte. Aparece geralmente quando a criança começa a frequentar a creche. Trata-se de um comportamento muito comum, está associado aos pesadelos e ao sonambulismo e não se relaciona com qualquer tipo de psicopatologia.

É importante estabelecer um ritual para dormir e acordar 

A hora de dormir deve ser sempre a mesma e seguindo o ritual estabelecido. Meia hora antes de a criança ir deitar, é essencial desligar a televisão ou o computador, evitar discussões de família e leitura de livros potencialmente perturbadores. 

Quando existem vários problemas em simultâneo — por exemplo, uma criança que resiste a ir para a cama, acorda frequentemente e pede biberões durante a noite —, foque-se num problema de cada vez. Um boneco ou uma fralda de pano podem transmitir conforto e segurança à criança, dispensando, assim, a presença dos pais. Procure estimular o seu filho o menos possível cada vez que ele acordar. Acalme-o com afirmações de segurança e tente confortá-lo até adormecer. Se for necessário, deite-se perto dele, mas nunca com ele. Crie um ambiente propício ao sono, sem muito barulho, com uma temperatura agradável e luz com pouca intensidade.

De manhã, e mesmo que a noite tenha sido atribulada, foque-se sempre nos aspetos positivos do comportamento do seu filho na noite anterior.

Também é importante estabelecer rituais para o momento de acordar. Acordar com luz natural e em horário regular (sem grandes variações entre dias de semana e fim de semana). Demasiada luz será sempre muito agressiva para quem está a dormir serenamente. Uma pequena fresta de luz é suficiente. 

No caso de as crianças com despertar lento, será necessário chamá-las 15 minutos antes da hora definida para levantar e não usar estímulos fortes (muita luz, barulhos ríspidos e tom de voz agressivo). As crianças mais rápidas também não precisam de muitos artifícios e, com facilidade e um pouco de luz natural, estão fora da cama num curto espaço de tempo. 

Dormir na cama dos pais: sim ou não? 

Promover os laços familiares, aumentar a sensação de segurança no filho ou aliviar os problemas de sono são algumas das razões que levam os pais a partilhar a cama com os filhos. No entanto, é importante ter em consideração as implicações deste comportamento não só no presente, como também no futuro. 

Uma criança habituada a dormir na cama dos pais não vai aceitar pacificamente ser colocada, de repente, na sua própria cama. Por outro lado, ser capaz de ser independente durante a noite, ajuda-a a desenvolver uma autoimagem positiva e transmite-lhe um sentimento de competência durante o dia.

Tal, não significa que não pode ter o seu filho na sua cama ocasionalmente, numa manhã de fim de semana ou quando está doente ou assustado.

Fontes: 

advancecare.pt

magg.sapo.pt 

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